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quarta-feira, 20 de abril de 2016

Você sabe o que é o off Broadway?

O Off Broadway

Vista da plateia do Jewel Box Theater que faz parte do circuito Off Broadway

A peça se denomina Off Broadway quando está em um teatro em nova Iorque que possue entre  100 e 499 lugares. Além de ser um teatro  gerenciado pela  Actors' Equity Association que define e examina o teatro para decidir se ele é Broadway ou seja mais de 499 lugares, se ele é off Broadway de 100 à 499 lugares e Off Off Broadway em teatros com menos de 100 lugares.

Obviamente o tamanho de lugares dos teatros nova iorquinos vem junto com a estrutura ou seja grandes cenários dificilmente cabem em um teatro de 100 lugares, porem não significa que a produção por estar no off Broadway seja ruim ou pobre. Muitas vezes os espetáculos são concebidos para estar no circuito off Broadway. 

                       Heathers the Musical apresentado no Off- Broadway


Embora não seja muito freqüente, espetáculos encenados com sucesso em off-Broadway podem ganhar uma temporada na Broadway. Por exemplo, os musicais "Godspell", "Avenue Q", "Rent", "Spring Awakening", "Hair", "Grey Gardens", "Next to Normal", "Little Shop of Horrors" e "Sunday in the Park with George" de Stephen Sondheim, e as peças "Doubt" e "I Am My Own Wife" foram originalmente apresentados em off-Broadway. 

                                  Naked Boys Singing grande sucesso do Off Broadway

Todavia, algumas produções podem durar anos em off-Broadway; por exemplo, "Stomp", "Blue Man Group", "Altar Boyz", "A Perfect Crime" e "Naked Boys Singing". 
"The Fantasticks", é o musical mais longevo em toda a história do teatro, passou sua temporada original de 42 anos no Off Broadway.
Fonte:



sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

O Cantor Completo !!!



São anos e anos buscando pela perfeição técnica. Professores, cursos, aulas... Estudando para ser o melhor, ser o cantor 100% completo. Estudamos durante anos e lutamos para descobrir como chegar lá, mas de repente nos vemos no limbo, simplesmente não sabemos mais para onde estamos indo e nem o que fazer em relação a nosso aprendizado, nossa técnica e nossa carreira. Somos acometidos então do que chamo de “A pequena depressão do performer”, onde nos perguntamos onde estamos, para onde estamos indo e se realmente servimos para aquilo. 
Quem nunca passou por isso?! Se você nunca passou: PARABÉNS! (rs) eu já... E digo mais, passo por ela algumas vezes durante o meu ano. Não é nem um pouco difícil chegar nesse pequeno estágio de infelicidade consigo mesmo, ainda mais quando olhamos para o mercado ai fora e notamos a quantidade de coisas com má qualidade que nos são empurradas guela a baixo. Sim... a indústria fonográfica, assim como os teatros e a televisão estão lotadas de pessoas que não fazem a menor ideia do que estão fazendo ali, são rostinhos bonitos desfilando pela mídia , com suas performances mais ou menos. Não estou dizendo que não tenha gente boa nesses veículos, TEM SIM e muita! Mas também tem muita gente ruim né?! Muita gente que poderia estar em casa estudando. Mas ok!  
E isso tudo me leva a outra pergunta... O que é o cantor 100%? O que estamos buscando de fato, será que sabemos? Esquecendo que existem padrões de beleza, padrinhos famosos, conhecidos no meio e indicações. O que se precisa ter para ser realmente completo?
Pensando nisso Dean Kaelin, presidente da IVTOM (International Voice Teachers of Mix) que já treinou cantores da Broadway, finalistas do American Idol, dentre grandes performances americanos define de uma forma claro o que um cantor precisa ter para ter sucesso (lembrem-se que estamos esquecendo todos os jeitinhos que já citamos acima).
Ele nos diz que a habilidade de ser cantor completo, os 100% que queremos, se divide da seguinte forma, dos 100%: 25% se refere a Técnica vocal, 25% de Estilo, 25% de Presença de palco e 25% de “ser único”. Vamos entender essa ideia:


25% - Técnica Vocal
Aqui temos as habilidades que o cantor adquiriu através do estudo da técnica: Afinação, Bom domínio do fluxo aéreo, bom domínio do seu fechamento glótico, de sua ressonância, assim como outras habilidades como o controle de sua extensão vocal, homogeneidade entre os registros, entre outras coisas....

25% - Estilo
Aqui temos o quanto o cantor domina o estilo no qual deseja performar, a habilidade do cantor de conseguir transmitir a mensagem e/ou ideia que quer passar a seu publico e sua escolha de repertório (se ela se adequa ou não aquela voz)
Dominar o estilo no qual se performa é o quanto ele entende da estética daquele estilo e o quanto consegue reproduzi-la. Então é aqui que vemos se o cantor de teatro musical soa como um cantor de teatro musical ou, por exemplo, se o cantor de Mpb tem na voz as características daquele estilo. Queremos reconhecer qual o estilo musical do que ouvimos.

25% - Presença de Palco
Presença de palco é algo difícil de definir, mas no geral tem muito haver com a segurança que o artista passa ao publico. Divertir-se fazendo. Se o artista que está em cima do palco transparece segurança e confiança, a plateia o assiste, se diverte e admira aquele artista que está ali tão natural. Aos olhos do publico tudo que ele faz é simples para ele, o espectador olha para o diamante ali pronto, e nem pensa no trabalho que deu sua lapidação. E é isso que queremos, fazer tão bem ao ponto de parecermos que nascemos assim: Prontos!

25% - Ser Único
E por ultimo SER ÚNICO. Não ser previsível ou chato. Não imitar ninguém, oferecer ao mercado algo que só você tem, o NOVO ! Ninguém quer outra Kristin Chenoweth, outro Stevie Wonder ou a nova Beyonce, essas pessoas já existem, e você nunca será nada mais que uma boa imitação delas. Mas se for você mesmo, se descobrir o que você tem a oferecer ao mercado, ai sim! Será Único.

Sendo assim pensemos numa equação simples: Se tenho uma boa técnica e uma ótima presença de palco já tenho 50% de chance de entrar para o mercado como cantor. O que mais preciso? Dessa forma fica fácil avaliar quais são minhas deficiências como artista e trabalhar em cima delas, de forma focada e eficiente. E honestamente acredito que os 100% se aplica também as outras artes performáticas: A dança, as cênicas e etc... Afinal TÉCNICA, ESTILO, PRESENÇA DE PALCO E SER ÚNICO fazem de um artista quem ele é, e isso  se aplica a qualquer manifestação de performance, não acha?
Pense um pouco sobre, e lembre: NADA vence o estudo !  ;) 




sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Espelho, Espelho Meu!

Vocês sabiam???

A maioria dos estudantes, especialmente os iniciantes, sentem a necessidade de ver-se no espelho durante as aulas de dança.

 De fato, muitos acham que o espelho é uma ferramenta essencial em uma aula de dança.
No entanto, em uma pesquisa feita por alunos de dança da  Broadway Center(NY), aulas de dança das quais um espelho não está presente,  cerca de metade dos alunos se perdem durante um exercício e alguns realmente se sentem aliviados por não terem que abordar a questão da  auto-percepção e sua imagem no espelho.

Sabe aquele momento em que sua professora pede para passar a coreografia virada pra parede? Que medoooo !!!



Existem teorias no mundo da dança em que o bailarino deve perceber seu corpo de uma forma cinética, ou seja, perceber de onde vem o seu movimento utilizando apenas a intuição, a consciência corporal e o próprio movimento.

O espelho, nesse caso, é um monstro, pois permite com que o bailarino se corrija esteticamente e não técnicamente. Se corrigindo esteticamente, o bailarino perde essa percepção e a “memória de limpeza”. Ele se torna incapaz de manter o movimento correto. Cabe ao professor alertá-lo e ensiná-lo sem o espelho, para que assim o aluno adquira a consciência corporal adequada.

Com freqüência, especialmente nos bailarinos iniciantes, a imagem visual é mais poderosa do que a percepção destes movimentos.
Portanto, um bailarino não pode depender de forma total do espelho para dançar, pois assim pode haver um atraso em seu desenvolvimento. A melhor maneira é perceber a diferença entre a imagem gerada no espelho e a ocupação do seu corpo no espaço.

"Quando usar um espelho, bailarinos, lutem para que o espelho não seja um vilão e sim seja um aliado para o estudo, estimulando a sua capacidade de concentração durante aula.
Que juntos possamos encontrar a melhor forma para aprendermos e pesquisarmos!".


sexta-feira, 3 de julho de 2015

Quero fazer um pedido à você: NÃO VÁ AO TEATRO

No blog do CP Musical o professor de interpretação, Thiago Dombidau, relembra a campanha de 2014 "SAIA JA DO FOCO".

“Quero fazer um pedido à você: NÃO VÁ AO TEATRO.
Você que atende a um celular durante a peça. Ou pior, que decide enviar mensagens ou lê-las numa cena. Ou pior ainda, decide tirar fotos da peça com ele. Ou pior, com FLASH. Ou PIOR!!! Decide simplesmente ficar manuseando-o por minutos durante uma cena.
Sim, você tem o direito de estar achando a peça ruim, tediosa, tem todo o direito. Assim como tem o direito de ir embora. Ou de não aplaudir no final. Mas quando você manuseia um celular durante a peça não é somente um desrespeito e um desdém ENORME ao trabalho de todos aqueles profissionais no palco e ao redor dele mas a todas as pessoas que saíram de casa para assistir aquela peça. Mexer num celular, mesmo que por 2 segundos, numa plateia, é como ir a uma exposição de um quadro raro, parar do lado dele e começar a sambar. Você está desviando a atenção de todos a algo que eles não estão interessados, tirando a importância daquele evento, sendo egoísta e desrespeitoso. Portanto, por favor, NÃO VÁ AO TEATRO. O Teatro ama e precisa de público. Mas você não é o "respeitável público". Você é só alguém que não sabe a diferença de uma TV e de uma sala de espetáculos. Você pode ficar em casa. Os artistas agradecem.”
Texto de Raphael Gama
Indicado ao premio Belas Artes 2015
 na Categoria Melhor Ator



Quem já esteve em um palco sabe qual o nível de concentração exigido para um ator e como é difícil viver um personagem em cena.

Agora imagina que você está concentrado, esperando sua deixa para começar uma cena de briga violenta, onde os dois atores em cena precisam estar totalmente conectados e alguém de repente é iluminado na platéia. Automaticamente você, ator, leva um susto vendo o rosto de uma pessoa que está ao celular. Além de atrapalhar o ator que está concentrado, devolve aos espectadores que estão em volta a realidade e o deixa longe do espetáculo.

A magia do espetáculo se acaba, pois a pessoa que pegou o celular precisava muito ver as horas, conversar no WhatsApp ou estava vendo as notificações de sua rede social. 

Parece brincadeira, mas estando em cartaz há cinco meses na cidade de São Paulo, é absurdo o numero de pessoas que mexe no celular durante a peça.  Atrapalhando não só os atores, como também o outros espectadores.



Alguns dos artistas mais consagrados do meio participaram da campanha “SAIA JÁ DO FOCO” pedindo para as pessoas pararem de usar celular no teatro.



Respeito é bom e necessário!


sexta-feira, 26 de junho de 2015

Entrevista Renato Ferrier - Ator e Drag Queen

Olá leitores do CP Musical!
Hoje nossa professora de dança Carol Isolani traz uma entrevista com o ator de teatro musical Renato Ferrier, que também dá vida a drag queen chamada Roxy Yours. Atualmente ele faz a websérie DIVANDO, que em menos de um mês no ar ultrapassou os 100 mil acessos, e que dentre outros temas, fala das dificuldades da vida de uma drag queen.



Carol Isolani: Renato, antes de embarcar no universo drag você desenvolvia um trabalho focado em teatro musical certo? Como foi que houve essa mudança?
Renato Ferrier: Então, fazem nove anos que eu trabalho e estudo com teatro e dança. Já fiz algumas coisinhas de teatro musical (Nas Alturas, A Sessão da Tarde, shows de natal com a Only Broadway...) e já trabalhei muito com teatro infantil e como bailarino. A drag surgiu meio que naturalmente. Eu já havia me montado antes... em 2009 eu dancei num navio de cruzeiros onde havia a noite da drag queen e os bailarinos eram obrigados (por contato) a participar! Eu me divertia né, e desde então fiz drag em alguns eventos ou pra sair com os amigos. Aí, em 2012 eu dei vida a Bruxa Lezah no "Looney Tunes Show Live" que foi quando conheci a Fernanda Chamma, e acabei trabalhando bastante com ela depois da peça por causa da minha Bruxa. E a Bruxa fazia sucesso com o público, mas sempre foi um personagem mais complicado de trabalhar (pra vida). Então, no final do ano resolvi investir na carreira de drag quando recebi um convite pra me apresentar na
 noite... Acho que com a bruxa acabei descobrindo uma força feminina de trabalho muito grande que acabei passando pra minha personagem drag.

CI: Você trocou de carreira?
RF: Na verdade não. Eu continuo trabalhando como Renato Ferrier, só que agora tenho que conciliar também a agenda da Roxy, o que é bem dificil, porque com a drag eu acabo trabalhando mais na noite e com o Renato mais de dia. Então fica bem complicado conciliar coisas do tipo noitadas em baladas e muita falação com descanso de voz e aulas de canto!! Mas tenho sim deixado um pouco o Renato de lado, porque a Roxy acabou tomando conta dos meus dias. Acho que ela em 6 meses de carreira já fez mais coisa do que eu em 8 anos, kkkkk.


CI: Como assim?
RF: É que igual a Bruxa, a Roxy é muito diferente de mim. Elas são muito mais audaciosas, muito mais destemidas e corajosas do que eu. O que é muito interessante, porque eu acabo ganhando muito com esse intercâmbio. Um exemplo bobo é que a Roxy fez um Facebook pra ela, e ela nunca teve medo de adicionar um produtor de festa ou pedir uma oportunidade. Eu como Renato nunca tinha adicionado ninguém que eu não conhecia ao vivo. Esse tipo de libertação que as personagens tem acabam me afetando enquanto pessoa. Pois eu começo a ousar mais também. E com a Roxy eu consegui ter uma visibilidade artística que eu nunca tinha conseguido antes por causa da websérie.

CI: Essa websérie fala das dificuldades da vida de uma drag queen né? Você acha que ela passa pelas mesmas dificuldades que qualquer outro artista??
RF: Sim e sim. Sim porque é realmente muito difícil ser artista nesse país. Seja drag, seja ator, seja bailarino, seja cantor.. qualquer área artística requer MUITO investimento. Investimento de tempo e dinheiro pra estudar e se desenvolver como artista. E nosso sistema de educação não ajuda nisso, porque por mais que tenha uma aulinha de teatro ou de dança no colégio que você estudou elas não são o suficientes pra te profissionalizar. Agora pelo menos existem as escolas de teatro musical que já somam uma modalidade a outra. Mas na minha época (kkkkkk) ou você estudava canto, ou dança ou teatro. E era muito difícil encontrar alguém que fosse bom nas 3 areas. Uma drag passa por essas mesmas dificuldades, porque tem drags que dublam, tem drags que batem cabelo, drags que dançam, que apresentam stand up... E cada área é específica né? Então sim, existem as mesmas dificuldades, somadas que os cachês são sempre muito baixos em ambas
 as áreas. E sim novamente porque existe um preconceito social envolvendo ambos. As drags sofrem o mesmo preconceito que as bailarinas em relação ao olhar machista do sistema que vivemos. Uma drag é um homem que quer ser mulherzinha e uma bailarina é vagabunda porque usa roupas curtas. Ou um ator é um vagabundo porque não trabalha das 9h as 18h. Sendo que nós sabemos que é muito do contrário... Como é trabalhoso ser artista nesse país!


CI: Porque você acha tão trabalhoso?
RF: Vou te dar o meu exemplo. Eu queria ser ator. Aí fui estudar teatro. Mas vi que pra ser um bom ator eu precisava saber usar meu corpo. Ai fui fazer aula de ballet. Aí percebi que eu teria mais facilidade de arrumar trabalho se eu dançasse jazz e hip hop tb. Fui estudar. Mas eu não tinha dinheiro, então mandei meu material pra todo e qualquer tipo de seleção e acabei fazendo assistência de direção aqui, de produção alí. Aí fui estudar canto pra poder trabalhar com musicais. Mas nenhuma dessas modalidades ainda me dava dinheiro o suficiente pra viver... Então eu fui fazer um book fotográfico. Aí eu achava meu currículo muito pouco, decidi ir fazer um site pra ver se dava um up. Do site pulei pro youtube, então comecei a editar meus vídeos também. Aí na dificuldade de me manter como freelancer eu comecei a dar aula de teatro e de sapateado... Agora virei drag queen. Como drag queen eu já fiz show de comédia, lipsynch, fui
 hostess, dj e animador de festas. E ainda assim não tô aonde eu queria estar. Ou seja, hoje em dia pra realizar o meu sonho de ser ator eu desenvolvi milhares de habilidades e mesmo assim ainda tenho dificuldade pra trabalhar... Porque o país tem uma maneira de operar que não favorece o trabalho do artista. A nossa cultura diz que qualquer um pode ser ator, agora ainda tá na moda pegar não atores pra fazer o nosso trabalho... Quer dizer... Tem que gostar muito viu!!!

CI: Você disse que trabalhou como bailarino, na sua opinião, qual é a importância do trabalho de dança para um artista?
RF: Eu particularmente acho crucial um trabalho de dança para um artista porque a dança te exige e te ensina algumas coisas que faltam em MUITOS artistas por aí... tipo foco, disciplina, perseverança, estudo... Por causa dos meus estudos em ballet, jazz e hip hop eu acabei descobrindo que sou um ator que me desenvolvo pelo corpo. Quando fiz a Bruxa construi a personagem toda a partir de descobertas com o corpo. O peso dela, o afastamento das pernas em plié (buscando ser igual o desenho da Warner) e a dinâmica dela, toda brusca e espalhafatosa. A Fernanda (Chamma) me ajudou muito na parte corporal no início dos ensaios, e com essa base eu acabei encontrando a voz e o tempo da Bruxa sem muito esforço sabe? Acho que cada profissional tem uma área em que começa melhor. Tem gente que começa uma construção pela voz. Outros pela genesis. Eu sou pelo corpo.



CI: Mesmo que o artista não vá dançar, você acha que o estudo ajuda na sua arte?
RF: Absolutamente. Eu mesmo parei de dançar, mas continuo com o conhecimento que ganhei com a dança em tantos anos. Por exemplo, a dança me ensinou que quando subimos ao palco somos imagem, e imagem por si só já comunica. Pra subir num palco você precisa ter consciencia da sua postura, do espaço que você ocupa e como o ocupa, pois tudo isso comunica. Uma coisa que eu uso MUITO e que aprendi com as aulas de dança é a desenvolver partituras corporais. Igual uma coreografia, que você tem momento certos (indicados pela musica) pra realizar determinados movimentos, como ator eu uso muito de momentos certos (tipo uma determinada palavra) pra realizar um gesto que vá ajudar na clareza do que eu to querendo comunicar. E tem uma coisa que é muito deliciosa na  dança que é aquele sentimento de superação. Eu faço sapateado agora, e lembro como era difícil fazer um pullback ou wing. E depois de muito tempo, de muitas tentativas e erros, chegou uma  hora que o pullback e o wing começaram a sair sem dificuldade nenhuma. Poderia ser uma pirueta, ou um mortal. Essa sensação de superação é impagável. Faz a gente sentir que tudo é possível e alcançável através do nosso esforço.

CI: Você disse que parou de dançar... isso aconteceu por algum motivo específico?
RF: Sim. Eu sempre fui muito esforçado (eu acho né hehehe e tento pelo menos!) mas nunca fui um exímio bailarino. Melhorei muito nas modalidades que estudei (ballet, jazz e hip hop principalmente), mas existem algumas circunstâncias que eu percebi que não me ajudariam a ser um bailarino fodástico. Primeiro porque eu comecei a dançar tarde, e a carreira de um bailarino geralmente termina cedo né? Existem possibilidades, mas pra dançar em palco você precisa ter um preparo muito grande e um diferencial. Num dado momento eu parei pra refletir e reconheci minhas limitações. Eu não tenho flexibilidade apesar de ter facilidade pra dançar. E o meu diferencial sempre foi como ator, então eu escolhi focar na carreira de ator ao invés de continuar dançando. Mas continuo dançando né, hahahaha.

CI: Se vc pudesse dar um conselho pros estudantes de teatro musical, qual seria?

RF: Eu diria pra eles pensarem bem e terem muita certeza antes de se aventurar. Conseguir viver de arte no Brasil é coisa de quem ralou e suou muito. É pros sobreviventes. E particularmente o teatro musical é o mais dificil de todos. Porque requer habilidades específicas em áreas distintas... O mercado no Brasil está crescendo. Nos ultimos 10 anos houve um BOOOM de escolas de teatro musical que juntam as linguagens. Quando eu comecei, como já disse, não haviam tantos profissionais que dessem conta de cantar bem dançar bem e atuar bem. Daqui 5, 10 anos teremos uma leva de profissionais muito bem preparados. Então se você realmente ama: sue! Invista! Porque vale a pena cada esforço. Subir no palco e poder cantar dancar e atuar é uma das sensações mais deliciosas que eu já senti. Conseguir dar conta de tudo isso ao mesmo tempo é bom demais! Mas saibam que é preciso muito, MUITO trabalho!!


Texto: Carol Isolani




segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Jeremy Jordan !

Atualmente um dos mais badalados da Broadway, Jeremy Jordan é cantor e ator americano nascido em Corpus Christ no Texas. Seus pais se divorciaram quando ele era bem jovem, mas toda confusão familiar não fez com que ele deixasse de ser um aluno nota 10 no colégio e faculdade.

Começou sua carreira atuando em montagens teatrais e musicais ainda no Colégio. Mas sua grande estreia foi em 2008 como Alex em “The Dog Laughed”, pelo qual já recebeu indicação ao prêmio Connecticut Critics' Circle. Em 2009 estreia na Brodway no musical “Rock of Ages”.


Com um nível de qualidade altíssimo, Jordan ainda atuou em musicais importantes como “West Side Story”, no papel de Tony, “Bonnie & Clyde”, com o personagem Clyde e talvez, em um de seus maiores destaques como Jack de “Newsies”.
Como Jack em “Newsies”, Jeremy Jordan foi nomeado em 2012 como Melhor Ator no Tony Awards (importante premiação do Teatro Musical Americano) e também concorreu ao Grammy como Melhor Trilha sonora de Musical Broadway, pois gravou a trilha sonora original do espetáculo.


Jordan viverá Jamie Wellerstein na adaptação para cinema de The Last 5 Years, prevista para lançamento em 2015.


Jeremy Jordan já participou de vários filmes e seriados americano, como Smash. Um artista completo e de grande excelência no que faz.
Não à toa é um dos mais cotados e comentados artista da Broadway.

Segue o vídeo de Jordan cantando LET IT GO da animação FROZEN da Disney. Obviamente Jeremy não canta no mesmo tom da Elsa do desenho, o tom da música foi adaptado para a voz masculina e para uma região de brilho do cantor. 

Um belíssimo trabalho, uma voz maravilhosa, cheio de talento!




quarta-feira, 26 de março de 2014

A Teatralidade na Dança !

Quero fazer deste post um lugar de apreciação.
Um exercício contemplativo direcionado.
Selecionei alguns vídeos de diferentes épocas, estilos, linguagens coreográficas, técnica corporal e indumentária. Porem em todas as cenas a teatralidade e a expressão de sensações no corpo e na movimentação, pra mim é marcante.

 Nijinsky 1912


Rudolph Nureyev

O exercício está em voltar o seu olhar contemplativo para a teatralidade de cada cena.
Pensando teatralidade a partir de como os bailarinos representam e criam cenas que acontecem sempre no corpo. Como apenas o movimento e o corpo do bailarino contam a história, demonstram sentimentos e provocam sensações, é claro que sempre a cena é composta por diversas linguagens como Figurino, Maquiagem, Luz, Trilha sonora e outras, mas o que quero que observem é que se não houvesse toda a produção, ainda sim os corpos em movimento continuariam contando história, demonstrando sentimentos e provocando as mais diversas sensações.
Acredito que pensar a dança nesse lugar faz muita diferença na formação de um estudante de Teatro Musical.
Penso que para a cena do Teatro Musical acontecer, a Interpretação Teatral, a Música e a Dança precisam acontecer simultaneamente em técnica e intenção, pensando na dança não apenas como um conjunto de movimentos coreografados que ilustram a cena, mas como lugar onde também acontece sua interpretação, nem na música e o canto como um assessório para passos virtuosos, mas sim uma coisa só, acontecendo num só momento, a cena.
É claro que sempre temos o calo do nosso sapato e aquele lugar onde ficamos mais confortáveis pra criar, mas tudo está em cena ao mesmo tempo.
Acredito que se pensarmos nisso ao olharmos uma cena da ficção ou do cotidiano, pensarmos em cada aula de dança, interpretação ou canto que fizermos, acrescentará em muito nosso fazer artístico.

Desfrutem de cada cena e fique a vontade pra trocarmos ideias, reflexões e opiniões sobre o assunto.


Pina Bausch Dance Company


Jiri Kylian 


 DV8 Physical Theatre



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